sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Um pais sem cuidados


Iphan apura destruição de arte rupestre sagrada para povos do Xingu
Publicado em 04/10/2018 - 21:04
Por Juliana Cézar Nunes - Repórter da Rádio Nacional Brasília



Inspeção do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ( Iphan) constatou a retirada de um painel com gravuras rupestres localizado na Gruta de Kamukuwaká, em Mato Grosso. O sítio arqueológico é tombado pelo Iphan como patrimônio cultural do país desde 2010 e considerado local sagrado por 11 etnias indígenas do Alto Xingu. 

O diretor do Centro Nacional de Arqueologia do Iphan, Flávio Calippo, informou que o órgão já solicitou investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal para o caso. Apurações preliminares da Polícia Militar indicam a retirada criminosa das placas na gruta onde estavam as pinturas rupestres. Ele disse que é possível as placas terem sido arrancadas intencionalmente. "Existe um processo natural de desplacamento, mas o que parece, embora ainda não haja um laudo sobre isso, é que foi uma atividade intencional." 

Paulo Junqueira, do Instituto Socioambiental, criticou a falta de proteção das áreas depredadas. Coordenador da equipe do instituto no Território Indígena do Xingu, Junqueira disse que a intensificação do turismo na região da gruta deixou as gravuras rupestres sagradas muito vulneráveis.

"O tombamento foi uma coisa que aconteceu só no papel. Nenhuma ação para a salvaguarda desses lugares foi feita. Não tem sequer uma placa dizendo que é tombado, não tem nenhuma ação de educação nas cidades do entorno, não tem nenhum sistema de vigilância para proteger aquelas áreas. Então, faltou um plano de salvaguarda pós o tombamento", afirmou Junqueira.

O Iphan aguarda a apuração da Polícia Federal para definir as medidas que serão tomadas para proteção do sítio arqueológico da Gruta de Kamukuwaká.

Outras gravuras rupestres sagradas para os indígenas estão em galerias inferiores das grutas, cobertas por areia, mas visíveis em algumas épocas do ano.
Edição: Nádia Franco

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Usinas caras


MME quer fazer leilões regionais para contratar usinas térmicas a gás
Publicado em 06/09/2018 - 17:21
Por Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil Brasília



O Ministério de Minas e Energia (MME) estuda a possibilidade de realizar leilões regionais para contratar termelétricas a gás natural com o objetivo de substituir usinas a óleo e diesel, para reduzir emissões e custos de operação. A intenção do governo é trabalhar para que as diferentes regiões do país sejam regiões sejam autossuficientes em termos de geração de energia.

A primeira licitação prevista deve ser realizada no Nordeste. “Além de diminuir os preços de energia elétrica para o consumidor, essa medida visa fomentar o aproveitamento do gás natural produzido no Brasil, especialmente na região do pré-sal e no Nordeste, estabelecendo condições que permitirão o desenvolvimento de projetos para incrementar a oferta de gás no mercado brasileiro, aumentando a arrecadação e reduzindo as emissões de gases efeito estufa”, informou o MME.

O tema foi debatido hoje (6) durante reunião do ministro Moreira Franco com o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Décio Oddone, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, e o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Reive Barros.

Durante a reunião, foi definido que a ANP e a EPE farão uma tomada pública de contribuições conjunta para identificar mecanismos de substituição, nos contratos de fornecimento de gás, do combustível importado (gás natural liquefeito - GNL) pelo gás doméstico.

“Considerando que a ANP, a ANEEL e a EPE são órgãos fundamentais para acompanhar e implementar políticas no setor de energia, para garantir a integração dos setores de gás e energia elétrica, preços justos e abundância no fornecimento de energia”, disse o MME.

Em um primeiro momento, os leilões visam substituir térmicas a óleo cujos contratos vencem entre 2023 e 2024. Também foi criado um fórum permanente de integração entre os três órgãos para discutir medidas para dar agilidade ao processo de ofertas de áreas em leilões e incentivar a competição no mercado de gás natural.
Edição: Sabrina Craide


domingo, 22 de julho de 2018

Apoio do exército na saúde


Exército apoia campanha de vacinação contra sarampo em Manaus

Publicado em 21/07/2018 - 11:40

Por Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil Brasília





O Exército está nas ruas de Manaus para ajudar na campanha de vacinação contra o sarampo neste fim de semana. O Comando Militar da Amazônia (CMA) informou que apoia a campanha no bairro Jorge Teixeira, escolhido por ser um dos mais populosos da capital, pela grande quantidade de ocorrências da doença e pelas dificuldades logísticas. Na última quarta-feira (18), traficantes impediram o acesso de agentes de saúde ao bairro.

Segundo o CMA, a solicitação de apoio ao Exército Brasileiro veio logo após o município decretar situação de emergência, no dia 3 deste mês, como consequência do surto de sarampo. “As equipes de divulgação realizarão atividades de panfletagem e de informação, reforçando as orientações à população sobre a vacinação contra o sarampo, e, também, indicando os postos mais próximos que estarão no aguardo para a imunização”, diz o comando.

Imunização

Segundo a Prefeitura de Manaus, hoje (21) e amanhã (22), equipes de imunização também percorrerão ruas da cidade, das 8h às 13h, realizando “varreduras” vacinais, ação da segunda etapa do Plano de Intensificação do Combate ao Sarampo.

O plano teve início na última segunda-feira (16) e prossegue nos finais de semana.

“Durante a semana, fazemos esse trabalho das 15h às 20h porque são maiores as chances de encontrarmos as pessoas em casa, já tendo voltado do trabalho. Sabemos que, para essas famílias, é mais difícil irem às unidades de saúde, razão pela qual estamos indo até elas para vacinar”, destacou o secretário municipal de Saúde, Marcelo Magaldi, em nota.

Segundo a prefeitura, o objetivo das varreduras é analisar a situação vacinal dos moradores dos três bairros considerados prioritários por registrarem a maior incidência de notificações e/ou confirmações de casos de sarampo na cidade: Jorge Teixeira, e Cidade Nova e Novo Aleixo.

A meta é que, até o fim do mês de agosto, as equipes tenham feito a avaliação da situação vacinal de 204.139 pessoas, em 110.198 imóveis, e a atualização da tríplice viral.

Segundo a prefeitura, o público-alvo são crianças a partir dos seis meses a adultos até 49 anos. Dados da Secretaria de Saúde municipal estimam que a população nessa faixa etária seja de 724.028 pessoas e que, aproximadamente, 40% ainda não tenha sido imunizadas contra o sarampo.

Neste final de semana, a vacinação gratuita ocorre das 8h às 17h. Quem portar a caderneta de vacinação, deve apresentá-la, mas os cidadãos que não tiverem o documento também serão imunizados, conforme as orientações da faixa etária disponibilizadas pelo Ministério da Saúde.

Balanço do ministério confirma 677 casos da doença, que é transmitida de forma similar à gripe, por vias respiratórias.

Saiba mais


Edição: Lílian Beraldo


sábado, 30 de junho de 2018

Não alérgico


UnB cria método para produção de látex hipoalergênico

Processo pode ser usado no fabricação de luvas, camisinhas e cateteres

Publicado em 30/06/2018 - 15:57

Por Helena Martins – Repórter da Agência Brasil Brasília




Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB) desenvolveram um método para produção de materiais hipoalergênicos de látex de borracha natural, que poderão ser utilizado na fabricação de camisinhas, luvas cirúrgicas, cateteres e outros itens. Além de não causar alergias, os produtos podem mais resistentes. O processo já foi patenteado.

O professor Floriano Pastore Júnior lidera a pesquisa no Instituto de Química da UnB - Reprodução/TV Brasil

O que os pesquisadores desenvolveram foi uma forma de inativar proteínas alergênicas no látex de borracha natural. “O látex é um meio biológico muito rico, temos lá mais de 200 tipos de proteínas diferentes nele. No entanto, 13 delas são alergênicas e podem fazer mal à saúde. Quando se trata de usar o cateter em posição de contato muito próximo da mucosa, se a pessoa for alérgica pode ter um choque anafilático e vir a óbito”, explicou o professor Floriano Pastore Júnior, que lidera a pesquisa no Instituto de Química da instituição.

Em experiências anteriores, as proteínas eram retiradas do látex para evitar a alergia. "Em vez disso, partimos para uma abordagem diferente, porque vimos que retirar as proteínas tirava a resistência dos filmes feitos com látex. Então, a forma encontrada para evitar esse efeito foi não retirar as proteínas e, sim, bloquear a ação delas, o que foi feito por meio da utilização de tanino. Feito a partir do chá da casca da acácia-negra, o tanino é usado no curtimento de pele animal, para transformá-la em couro. Nesse processo, o tanino passa a funcionar como escudo de proteção das proteínas, evitando ataques de bactéria, dando estabilidade e longevidade ao couro.

“Usamos a reação química do tanino com a proteína do couro para proteger as proteínas do látex. Essas proteínas permanecem com uma capa de tanino vegetal e não desenvolvem mais reações  alérgicas”, disse o professor.

Testes




Processo pode ser usado na fabricação de luvas, camisinhas e cateteres - Reprodução/TV Brasil


Testes feitos em Londres comprovaram que a resistência do látex não se perdeu no novo processo. Novas comprovações estão sendo realizadas em laboratórios do Brasil e de outros países, como nos Estados Unidos. Embora ainda não haja previsão de prazo para a adoção do método e seu uso pelo conjunto da sociedade, há expectativa de que isso ocorra. Assim, os materiais que venham a ser produzidos por meio do processo poderão ter maior resistência, o que é particularmente importante no caso das camisinhas, por exemplo, pois ampliará sua eficácia.

Em 1997, a Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA) estimou que 8% da população em geral têm alergia ao látex. O número é bem maior, quando observados grupos que convivem cotidianamente com o material. Nesses grupos, estão incluídos pacientes com Spina bífida, que requerem múltiplas cirurgias e frequente cateterização vesical e os profissionais de saúde, como médicos, dentistas e enfermeiros. Neste caso, o percentual de incidência do problema chega a 20%.

Edição: Maria Claudia